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21/11/2017 22:07

Desrespeito: Em desabafo, professor relata agressão sofrida em escola de Cuiabá

Polícia

Terça-Feira, 21 de Novembro de 2017, 19h:33 | Atualizado:

DESRESPEITO

Em desabafo, professor relata agressão sofrida em escola de Cuiabá

SUELEN ALENCAR 
Da Redação

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Um professor relatou a agressão que sofreu dentro de sala de aula por um aluno do 5º ano de uma escola pública municipal, em Cuiabá. O desabafo foi feito em uma rede social, na noite de quinta-feira (16). 

O servidor da Secretaria Municipal de Educação relata que o aluno, um adolescente de 11 anos, lhe agrediu com socos, após retirar uma “bolinha de ping pong” das mãos dele. A afronta do adolescente, de acordo com o educador, é tamanha que após o ato o menino “jurou” pegar o professor fora da instituição.

O garoto ainda fez ameaças ao professor. “O irmão ia resolver as coisas” e “o comando vai te pegar” foram algumas das frases. 

A agressão ocorreu quando o professor passava pelo corredor da escola e o menino jogou a bolinha nele. Ele contou que pegou a bolinha e disse que não devolveria. 

Neste momento, o adolescente lhe agrediu com socos nas costas e proferiu as ameaças. “Um gesto covarde, de um delinquente que queria mesmo era ferir o professor”.

Após o caso, o professor conta que chegou a procurar as intuições competentes de segurança pública. Segundo o professor, no Cisc Planalto foi informado que pelo caso envolver um menor teria que ser relatado a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Dedicca). 

Ao chegar à Dedicca, a vítima foi informada que o caso seria resolvido pelo Conselho Tutelar. No Conselho Tutelar, o educador recebeu a orientação de que a família do menor seria notificada por um ato infracional e que seria acompanhado pelo órgão. 

Diante das indefinições por parte dos órgãos, o professor resolveu fazer o desabafo nas redes sociais. Ele contou que está “ferido” com toda a situação e diz acreditar que o caso “não dará nada”. 

“Agora aguardo o conselho tutelar notificar a família desse guri, com plena consciência de que isso não vai dar nada. O menino vai continuar por aí, ameaçando outros professores, indo para conselho tutelar até os 13 anos. Depois, sabe Deus o que vai acontecer. Quanto a mim, vai ser difícil superar esse golpe. Educador no Brasil não vale nada”, lamentou.

Veja relato do professor:

Hoje, eu experimentei a situação mais horrível que um educador pode passar. Hoje fui agredido com socos por um aluno do 5° ano da escola o de trabalho. Tudo por quê? Por causa de uma bolinha de Ping Pong que tomei do menino, que usara para testar minha reação.

Aconteceu assim: eu saia da sala dos professores em direção as salas do Mais Educação. Estávamos todos apurados aplicando prova e lançando as avaliações no sistema pelo computador da secretaria. Ao descer pelas escadas, o aluno jugou a bolinha na minha costa. Eu, que já vinha evitando esse guri, olhei para o chão, peguei a bolinha e disse: "esta aqui eu não devolvo". 

Nisso, o aluno partiu pra cima de mim com toda a agressividade e me socou pelas costas, num gesto covarde, de um delinquente que queria mesmo era ferir o professor. Contei até 10, até 20, virei para o menino e disse: " isso não vai ficar assim!". 

Fui até a sala da diretora que me orientou a fazer um B.O. sai da escola, e o menino falando que me pegar, de mandar o irmão dele me pegar, que o comando iria me pegar. Cheguei ao CISC Planalto para fazer o B.O. A primeira coisa que o escrivão fez foi perguntar se o agressor era menor. Eu disse que sim. "Então o senhor vai ter de ir até ao DEDICCA, que lá que faz B.O. contra menor. Chego ao DEDICCA, me mandaram pra outro lugar que também não resolvia. Por fim, o delegado, ao saber do que se tratava, me perguntou a idade do menino. Eu disse 11. " Ah, então isso é caso pra conselho tutelar". 

Ao chegar no conselho, relatei o caso para a agente conselheira que me reportou que pela lei brasileira um criança não comete crime, comete ato infracional, mas que iria notificar a família da criança. Me senti impotente e um fracasso como educador. Nunca haviam passado por isso. 

Agora aguardo o conselho tutelar notificar a família desse guri, com plena consciência de que isso não vai dar nada. O menino vai continuar por aí, ameaçando outros professores, indo para conselho tutelar até os 13 anos. Depois, sabe Deus o que vai acontecer. Quanto a mim, vai ser difícil superar esse golpe. Educador no Brasil não vale nada. Meu nome é Roberto Viana, sou educador mas estou ferido.


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