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08/04/2018 08:06

Valorização: Humoristas valorizam e destacam o linguajar cuiabano

Cultura

Sábado, 07 de Abril de 2018, 13h:37 | Atualizado:

Humoristas valorizam e destacam o linguajar cuiabano

G1-MT

O linguajar cuiabano não passa despercebido. Com expressões, fonemas e vocabulários únicos, o jeito de falar que nasceu na capital mato-grossense se distingue dos outros sotaques do país. A importância do dialeto foi reconhecida como patrimônio imaterial de Mato Grosso em 2013 e, desde então, passou a ser protegido pelo poder público por risco de desaparecer.

Entre as peculiaridades do linguajar, o cuiabano tende a trocar o ‘ão’ ao fim das palavras por ‘on’ e substituir, em algumas sílabas, a letra ‘l’ por ‘r’.

Por exemplo:

agora quando?! = expressão de dúvida

complicado = compricado

rebuça e chuça = baile, festa

Tchá mãe = expressão para xingar

Segundo o escritor e poeta cuiabano Moisés Martins Junior, o marco histórico do início do desaparecimento do jeito de falar cuiabano deu-se em 1974. À época, uma enchente devastou áreas ribeirinhas de Cuiabá.

Com a transferência dessa população que teve as residências destruídas e a força migratória, o ‘cuiabanês’ começou a perder força.

Neste contexto, irreverente e à frente de seu tempo, o ator Liu Arruda (1957-1999) fez questão de destacar o sotaque e o modo de falar típico do cuiabano em seus personagens e espetáculos.

Sempre numa cadeira de balanço, Juca conta do seu jeito causos e histórias de Cuiabá

A família de Comadre Nhara, Juca, Gladstone e Ramona – todos os interpretados por Liu -, é exemplo desse processo.

A pedido do G1, o também ator cuiabano André D’ Lucca interpretou os personagens de Liu.

Nhara e Juca, a matriarca e o patriarca de uma família bem humorada, dão vida aos trejeitos e linguajar típicos do cuiabano.

Comadre Nhara fala ao telefone com uma comadre e discute com ela

De voz ardida, ela grita com todos da família e está sempre inteirada das fofocas da vizinhança. Ele, com o jeito sossegado, está sempre na cadeira de balanço contando histórias.

Com estes personagens, Liu deu vida ao jeito de falar cuiabano, formado a partir do sotaque trazido pelos colonizadores e das influências indígenas, dos negros e dos bandeirantes paulistas.

Gladstone, o roqueiro cuiabano, canta seus sucessos autorais

Já Gladstone e Ramona, os filhos do casal, são exemplos de outro processo. Ele é roqueiro e pretende ser cantor. Ela tenta esconder o sotaque cuiabano, tem fixação pelo Rio de Janeiro e é interessada em moda.

Continuidade

Aos 41 anos, André recebeu clara influência da arte de Liu Arruda. O ator já interpretou os famosos personagens de Liu a pedido da FIFA em 2014 durante a Copa do Mundo, em Cuiabá.

Almerinda, a marca registrada de André, por muito tempo foi confundida com Comadre Nhara.

“Sempre diziam que eu copiava Liu, que Almerinda era cópia de Nhara. Só depois de muito tempo percebi que a comparação era feita pelo tema abordado por elas: política”, disse.

A personagem de André também faz parte do processo histórico-cultural que transformou Cuiabá e o jeito de falar do cuiabano.

“Ela já não tem o sotaque cuiabano, é uma cidadã do mundo. Almerinda consegue dialogar com todo mundo: o cuiabano antigo, a nova juventude de Cuiabá e por aí vaí", afirmou.


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