Notícias

14/07/2018 19:25

Criatividade: Jovens cuiabanos apostam em brechós virtuais para driblar crise financeira

Sábado, 14 de Julho de 2018, 16h:45

Jovens cuiabanos apostam em brechós virtuais para driblar crise financeira

 

Por: KHAYO RIBEIRO - ESPECIAL HIPERNOTÍCIAS

A economia criativa, associada à necessidade de obter renda, tem impulsionado o surgimento de brechós virtuais. Tendo atraído cada vez mais empreendedores, o negócio é atrativo pelo baixo investimento, visto que não conta com estrutura física e o atendimento pode ser realizado a qualquer hora e em todo lugar.  

  

Foi com esse pensamento e a necessidade de ter uma atividade que gerasse renda, que fez com que Edimilson dos Santos Nogueira, 19 anos, abrisse o Verde Musgo Brechó. Longe da casa dos pais, ele precisava de dinheiro para pagar as contas na Capital, onde é acadêmico do curso de Serviço Social.   

  

"Eu ainda não recebo auxílio da UFMT, a ideia de abrir o brechó veio pra me ajudar na renda aqui em Cuiabá", afirma o universitário.  

  

Conciliar faculdade e trabalho é uma dificuldade que Alex Reis Brito, 23 anos, proprietário do Garimpei Brechó superou com a abertura de sua loja. "Eu sou estudante, o meu único meio de ganhar dinheiro é esse porque eu não tenho tempo". Poder trabalhar em qualquer lugar e a qualquer hora com o que gosta de fazer é um privilégio para o jovem.    

  

Alex diz que dificuldades financeiras foram o principal empecilho no início do projeto. Hoje, ele conta que parcerias com amigos tem levado o brechó para uma nova fase. "O apoio cresceu. É a economia criativa né, a gente faz várias parcerias e consegue somar juntos. Eu os divulgo , eles me divulgam e a gente vai crescendo, porque eu mesmo não tenho dinheiro pra fazer algo tão grande sozinho".    

  

A independência financeira é a principal motivação, contudo a criação dos brechós também permitiu que os proprietários conseguissem se expressar artisticamente. João Alexandre Mello Pereira, 17 anos, diz que "além de vender roupa, nós queríamos fazer um trabalho artístico e autoral com fotografia e edição".    

  

João e Pedro Duarte, 19, são os proprietários do Júpiter Brechó e revelam que têm interesse em vender roupas baratas a fim de que as peças circulem. Os dois afirmaram que brechós são alternativas para o consumo em massa promovido pelas grandes marcas. "Uma das nossas preocupações é fazer as roupas circularem, evitando o consumo de peças novas pra ajudar na questão ambiental", afirmam.    

 

O consumo consciente é a forma que os jovens adultos encontraram de desenvolver seus projetos de forma criativa.  

 

Novos Rumos 

 

Apesar de estarem há pouco tempo no ramo, os jovens demonstram sagacidade no que diz respeito às tendências de mercado. Eles afirmam que seus produtos representam um estilo mais alternativo que o das grandes marcas.  

 

Dessa forma, eles conseguem alcançar uma fatia de mercado que as lojas de vestuário mais populares não conseguem atingir. 

 

Os empreendedores contam que utilizam a garimpagem para a seleção de suas mercadorias. Essa técnica consiste em adquirir peças baratas de outros brechós para revender.  

 

Quando escolhidas, as roupas passam por sucessivos processos de curadoria, fazendo com que cada peça ou conjunto tenha um estilo muito próprio e dialogue com a proposta criativa de cada um.  

 

Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) mostra que o comércio digital fechou o ano de 2017 faturando nada menos que R$ 60 bilhões, com crescimento de 12% em relação aos anos anteriores. 

 

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) aponta que, no último ano, os investimentos no setor têxtil chegaram a R$ 1.9 bilhão, demonstrando mais uma vez que os jovens cuiabanos estão apostando nos caminhos certos para driblar a crise financeira no país.    


Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo